Ciranda D'um Erê

Sinhô Preto Velho

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Ciranda D'um Erê Sinhô Preto Velho
Até quando vamos ter que suportar
Crianças carentes perambulando sem nenhum lar
O caminho da devoção, a sorte de um pivete
Na mão um crack, na outra um canivete
A lágrima escorre no rosto, eu já não sei o que fazer
Batucada de terreiro, agora eu sou um erê
A luta não me cansa, vou cantar nessa ciranda
Cantar por esses palcos, pois eu sou um filho de umbanda
Sagrado para todos, sagrado como nós
Cair de joelhos diante dos ebós
Vou correr a gira, vou pedir a proteção
Olhai essas crianças, meu são cosme e damião
Pois a bala é de chumbo e toma conta deste mundo
Mata josé, mata maria, mata raimundo
Mas não mata a minha vontade de viver
Pois eu sou do bem e é o que vai prevalecer
É uma pena que a realidade nem sempre termina assim
Injetaram mais uma coca no doce de amendoim
Viciaram mais um moleque e eu não sei o que fazer
Rangendo os dentes de frio e não tendo o que comer
Debaixo daquela ponte onde passa o trem
Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amém

Eu vou na dança, ciranda, no samba, maculelê
Fazendo meu hip-hop feito um erê
Eu vou na dança, ciranda, no samba, feito um erê
Fazendo meu hip-hop, maculelê

"tem paciência dois-dois, que eu dou camisa azul
E para o ano que vem, dois-dois comer caruru “(d.p.)


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